[JAN/20] [ESTENDER + 1000] O que é gordura no fígado: causas, tratamento e como evitar

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Você já deve ter escutado o termo, mas sabe exatamente as causas de gordura no fígado? É necessário ficar atento aos sinais dessa síndrome. Afinal, estamos falando de um órgão fundamental para o funcionamento do organismo e que pode ser seriamente afetado por essa doença.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 30% dos brasileiros têm gordura no fígado sem ter ideia disso, principalmente por ser um problema bastante “silencioso” que pode ser agravado pelo sedentarismo e má alimentação. Por isso, é importante ressaltar a importância de check-ups anuais a fim de detectar taxas de TGO e TGP elevadas.

Desse modo, criamos este artigo para que saiba quais são as funções do fígado e entenda o que é a esteatose hepática. Falaremos sobre os diferentes tipos e níveis do problema, assim como suas causas, tratamentos e formas de prevenção. Não perca as informações a seguir! Vamos lá?

Quais são as funções do fígado?

O fígado é um órgão vital para o corpo humano. Ele atua com outras glândulas do sistema endócrino e é responsável por centenas de funções. Conheça as principais:

  • liberação de secreções;
  • liberação de substâncias no sangue;
  • metabolismo de gorduras, carboidratos e proteínas (através da produção da bile);
  • produção de sais biliares para digestão de gorduras e regulação intestinal;
  • limpeza e desintoxicação do organismo;
  • metabolização do álcool e de medicamentos;
  • retenção e liberação de glicose;
  • produção das partículas que fazem a circulação do colesterol;
  • armazenamento de vitaminas e minerais;
  • transporte de colesterol através da fabricação de partículas;
  • processamento de medicações;
  • depósito de vitaminas, ferro, minerais e cobre.

Trata-se do nosso maior órgão interno. Também, é conhecido por sua capacidade de resistir por muito tempo às agressões que causamos ao organismo, como abuso de álcool, alimentação desequilibrada e uso excessivo de medicamentos.

Esse órgão pode aguentar danos por anos e anos, sem dar sinais de esgotamento. Nisso mora um perigo: a esteatose hepática, popularmente chamada de gordura no fígado — uma doença silenciosa que, se não tratada, pode chegar a quadros irreversíveis.

O que é gordura no fígado?

Nosso sistema endócrino pode ser acometido por uma série de doenças, tanto em decorrência de predisposição genética quanto em resposta ao estilo de vida regado a hábitos nocivos. Colesterol, diabetes, hipertensão, doenças da tireoide e a esteatose são alguns dos quadros que fazem parte da chamada síndrome metabólica.

A esteatose hepática é resultante do acúmulo de gordura no fígado. Até certo nível, é uma alteração de baixo risco. O perigo é que quase não há manifestação de sintomas e, por consequência, as pessoas seguem suas vidas sem buscar tratamento. Entretanto, conforme o problema evolui, também aumentam os riscos de uma condição ainda mais grave, como infarto ou AVC.

A gordura no fígado passa por três níveis de gravidade. Em grau leve, não há sintomas nem riscos para a saúde e o foco deve ser na prevenção da doença, apenas com mudança de hábitos. Em grau moderado, pode haver inchaço e dores abdominais, mas o quadro ainda pode ser revertido sem administração medicamentosa — caso o paciente não seja alcoólico.

Já no terceiro estágio, a gordura no fígado pode dar origem a uma doença mais séria, a esteato-hepatite. Trata-se de uma inflamação que tende a causar fibroses e até insuficiência hepática. Em situações mais graves, o quadro evolui para uma cirrose ou até um câncer.

Quais são os tipos da doença e suas causas?

Veja, agora, algumas formas de apresentação dessa enfermidade e o que pode causá-la. Confira!

Esteatose hepática alcoólica

Como já fica claro na denominação da doença, esse tipo de esteatose hepática é decorrente do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Vimos que uma das funções do fígado é metabolizar o álcool (etanol) mas quando a dose é muito alta, ingerida em pouco tempo ou de forma repetida pode acontecer de serem tóxicos para as células hepáticas. Portanto, o uso frequente dessa substância pode causar uma sobrecarga no órgão, levando a alterações prejudiciais.

Esteatose hepática não alcoólica

A gordura no fígado de origem não alcoólica é uma condição ainda mais comum. Isso porque grande parte da população apresenta alguma síndrome metabólica, o que garante um fator de risco para o desenvolvimento da esteatose hepática. Veja quais são as principais causas desse tipo da doença:

  • obesidade ou sobrepeso;
  • obesidade abdominal;
  • sedentarismo;
  • alimentação desbalanceada, com consumo excessivo de gorduras, açúcares e carboidratos;
  • quadros de hepatite viral;
  • uso crônico de alguns tipos de fármacos;
  • colesterol alto;
  • triglicérides alto;
  • hipertiroidismo;
  • apneia do sono;
  • diabetes;
  • resistência à insulina.

É importante lembrar que mulheres têm maior probabilidade de acúmulo de gordura no fígado. O corpo feminino produz um hormônio chamado estrógeno que facilita o acúmulo de gordura. Inclusive, a síndrome do ovário policístico é também um fator de risco.

Que tal saber mais a respeito dos sintomas? Continue a leitura conosco.

Quais os principais sintomas e como chegar ao diagnóstico?

Conforme mencionamos, a gordura no fígado é uma síndrome de caráter silencioso, o que significa que nem sempre é possível identificar os seus sintomas. Isso significa que quando a pessoa apresentar alguns dos sintomas abaixo o quadro já poderá estar agravado, pois o fígado pode aguentar anos de agressões.

Desse modo, o paciente pode apresentar:

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  • dor e desconforto abdominal;
  • aumento na circunferência do abdômen;
  • fadiga;
  • redução do apetite;
  • icterícia;
  • perda muscular;
  • aumento no tamanho do fígado;
  • insuficiência hepática — comprometimento das funções do órgão.

Por ser uma doença bastante silenciosa acaba sendo ainda mais perigosa: pessoas com altos níveis de gordura que não apresentem queixas podem sofrer de AVC ou infarto de forma “repentina”.

Para chegar ao diagnóstico da esteatose hepática é necessário realizar exames laboratoriais (TGO e TGP) e de imagem (ultrassonografia), assim como uma avaliação clínica detalhada. Análises de amostras do sangue podem apresentar alterações, mas recursos como ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética são mais precisos para detectar a gordura no fígado.

Os exames de sangue TGO (transaminase glutâmico-oxalacética) e TGP (trasaminase glutâmico-pirúvica) são chamadas de enzimas transaminase. O primeiro se encontra dentro das células do corpo como no fígado, músculos, glóbulos vermelhos etc., enquanto o segundo é encontrado quase que unicamente nas células do fígado.

A diferença desses exames ajuda médicos a diferenciarem dois tipos de problemas que são agravados pela gordura no fígado: doenças no pâncreas ou sistema hepatobiliar (TGO e TGP) e identificação de possível infarto (TGP).

Na ultrassonografia é possível identificar três níveis de gordura no fígado, que são:

  1. Grau leve: quando há pequeno acúmulo de gordura;
  2. Grau moderado: quando há um acúmulo intermediário de gordura;
  3. Grau alto: quando existe um grande acúmulo de gordura.

É importante lembrar que, para chegar ao diagnóstico correto, é imprescindível fazer exames para entender se existem outras hepatites, doenças autoimunes ou até mesmo em relação ao uso de drogas. Caso seja necessário pode ser pedido, inclusive, biópsia.

Uma forma caseira de identificar se você tem gordura no fígado é medindo a sua circunferência abdominal que para mulheres não deve passar de 88cm e para homens 102cm. Caso suas medidas estejam acima desses valores é melhor procurar um médico.

Agora que você sabe como chegar ao diagnóstico vamos entender quais as ameaças à saúde que a gordura no fígado pode apresentar.

Quais os riscos de ter gordura no fígado?

O aumento da gordura no fígado pode ocasionar a cirrose hepática e, até mesmo, câncer. Desse modo, quando a gordura está alojada em grande quantidade ela começa a aumentar de tamanho e ficar amarelada. Por ser decorrente de má alimentação, sobrepeso ou alcoolismo, é normal que haja outros problemas em conjunto como pressão alta, gordura abdominal etc.

Quais os tratamentos e formas de prevenção?

A mudança nos hábitos alimentares, a redução no consumo de álcool e o tratamento medicamentoso são as principais formas de diminuir a gordura no fígado. Entretanto, cada caso deve ser avaliado de maneira individual, de acordo com as causas e fatores de risco.

Se a causa principal da esteatose hepática for o excesso de peso, o pilar do tratamento será o emagrecimento. Isso é feito com a ajuda de dieta balanceada e com a prática regular de atividades físicas. A perda de gordura reduz os níveis de glicose e diminui a resistência à insulina, aliviando a sobrecarga do fígado.

Esta dieta pode incluir alguns alimentos que são ricos em nutrientes chamados colina e betaína, que ajudam no transporte da gordura do triglicérides até a corrente sanguínea reduzindo, consequentemente, a gordura no fígado. Tais alimentos são a quinoa, beterraba, espinafre, ovos e gérmen de trigo e outros cereais desde que sejam integrais.

Entretanto, a redução de peso deve ocorrer pouco a pouco, para que a gordura armazenada seja descartada de forma gradual. Ao contrário do que parece, o emagrecimento rápido também pode causar inflamação no fígado. Reduzir em torno de 7% do total do peso pode trazer bons resultados e, para tanto, é necessário fazer uma dieta hipocalórica, evitando frituras, carboidratos e álcool.

Em todos os casos, é necessário tratar a origem do problema. Por exemplo, se quadros crônicos como diabetes e colesterol forem os motivos causadores da esteatose, é importante que se faça um tratamento abrangente, focado na melhora de cada síndrome, para atenuar seus efeitos.

A prescrição de remédios é feita somente em graus mais elevados. Fármacos utilizados no controle de diabetes, suplementos a base de vitamina E e ômega-3 e compostos emagrecedores, como Orlistat, são alguns dos medicamentos prescritos no tratamento da esteatose.

Lembre-se que a gordura no fígado tem cura. Ela pode ser diminuída ou, ao menos, estabilizada, evitando possibilidades de uma possível cirrose. Por isso é importante estar atento aos exames, dieta e sinais que o seu corpo possa dar.

Em todos os casos, a prevenção é o melhor remédio, concorda? Para evitar a gordura no fígado, o melhor caminho é cultivar um estilo de vida saudável. Isso inclui o baixo consumo de bebidas alcoólicas, a prática de exercícios físicos e, claro, alimentação equilibrada — rica em proteínas e vegetais, com o mínimo de açúcar e gorduras. Agora que você leu este guia completo cuide-se ainda mais para evitar futuras dores de cabeça!

Gostou de saber mais sobre o que é gordura no fígado? Então entenda mais a respeito de outro assunto muito relevante: quais exames de rotina que você deve fazer e por quê.

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